WES ÞU HAL

BEM VINDO AO PROJETO CÆDMON!

O Projeto Cædmon é um projeto temático cujo objetivo principal é realizar a análise crítica e a tradução para a língua portuguesa a partir dos originais das obras que compõe o assim chamado “corpus literário” anglo-saxônico (fazem parte dele, por exemplo, os poemas Beowulf, A Batalha de Maldon, Deor, Os Diálogos de Salomão & Saturno, Cristo & Satã, A Batalha de Brunanburh, O Sonho da Cruz, assim como os sermões do arcebispo Wulfstan, as homilias de Ælfric de Eysham e a Vida do Rei Alfred de Asser, entre outros).

Originalmente compostas em sua maior parte em inglês antigo (Old English) e também em latim durante o período da Inglaterra anglo-saxônica (séculos V ao XI), tais obras se revelam como uma fonte valiosa para o estudo histórico-literário da época, em função de seu volume e diversidade temática. Sendo assim um dos maiores conjuntos documentais dessa natureza do período da Alta Idade Média europeia setentrional e praticamente inéditos no Brasil e em português.

Por isso a existência do projeto como uma forma de preencher essa lacuna no âmbito acadêmico brasileiro, que ainda conhece muito pouco desse período da história medieval europeia. Oferecendo a pesquisadores de graduação, pós-graduação e demais interessados um referencial de fontes visando o fomento de novas pesquisas, a divulgação da temática e de tais obras no país.

Além disso, o Projeto Cædmon – como forma de estabelecer diálogos com outros temas e áreas que extrapolam e/ou dialoguem com o objetivo inicial do projeto – visa a a tradução de outros textos que se revelem importantes à nossa proposta. Especialmente obras ligadas à literatura medieval norte-europeia de forma geral. Como é o caso do Projeto Heliand e da tradução do Hávamál, por exemplo.

  • Por que traduzir?

Com o desenrolar do projeto serão disponibilizadas não apenas as traduções que os membros do projeto forem concluindo, mas também as fontes originais. O contato com as fontes em seu idioma original é imprescindível para o estudo e compreensão das obras. Contudo, pode-se questionar o valor de traduções e principalmente para a língua portuguesa, uma vez que praticamente todas as obras que compõe esse conjunto literário já foram traduzidas para o inglês moderno.

Podemos dizer que traduções, seja em qual for o idioma, possuem tanto valor quanto a leitura dos originais. Mas tal importância é diferenciada. Enquanto com os textos originais temos o contato direto com as minúcias e a semântica original das obras, com traduções temos a possibilidade de observar como esses textos são compreendidos pelo leitor moderno. Com traduções temos a chance de acompanhar a interpretação da obra através das escolhas de palavras, reconstruções de frases e conceitos e etc. Em suma, por meio de traduções (no plural, pois para o estudioso do tema quanto mais traduções ele tiver contato melhor) podemos ter uma visão mais aprofundada de tais obras através de diferentes pontos de vistas de diferentes tradutores, possibilitando que tiremos nossas próprias conclusões e interpretações a partir de nossa própria leitura da obra original.

Portanto, a leitura dos textos em seu idioma original é elemento fundamental do pesquisador, enquanto as traduções são sua ferramenta inicial para o debate e a análise crítica. E claro, para aqueles que estão tomando seu primeiro contato com o universo literário da Inglaterra dos tempos anglo-saxônicos, as traduções se tornam uma porta de entrada imprescindível.

  • Quem foi Cædmon?

O nome do projeto é uma homenagem ao lendário poeta Cædmon. Em sua obra Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum, Beda o Veneravel nos faz um relato histórico sobre os primórdios da Inglaterra anglo-saxônica até o seu tempo (finais do século 8). Entre reis pagãos e cristãos, missionários, batalhas e a ascensão e queda de reinos, Beda nos fala sobre um jovem pastor chamado Cædmon, da região de Whitby, que certa noite teve um sonho onde recebeu a inspiração divina da poesia e depois disso teria escrito sobre a Criação, a origem dos homens, toda a história do Gênesis, a saída dos hebreus do Egito e demais trechos do Velho e Novo Testamento[1]. Apesar do que nos diz Beda, infelizmente nenhuma dessas obras de Cædmon sobreviveram aos dias de hoje, a não ser pelo curto poema conhecido como o Hino de Cædmon:

Nu we sculon herian heofonrices Weard,
Meotodes meahte and his modgeþanc,
weorc Wuldor-Fæder, swa he wundra gehwæs,
ece Dryhten, or onstealde.
He ærest scop ielda bearnum
heofon to hrofe, halig Scieppend;
þa middan-geard manncynnes Weard,
ece Dryhten, æfter teode,
firum foldan, Frea eallmihtig [2]

[Agora nós devemos reverenciar o Guardião do reino dos céus,
o poder do Criador e a vontade de seus pensamentos,
a obra do Pai da glória, como Ele, de cada maravilha,
o Senhor eterno, estabeleceu o inicio.
Ele primeiro criou para os filhos dos homens
o céu como um telhado, o Criador sagrado;
então a Terra-Média o Guardião da humanidade,
o Senhor eterno, mais tarde preparou
– o mundo dos homens – o Senhor todo-poderoso]. [3]


[1] BEDA, Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum, IV: 24.

[2] Versão do poema em inglês antigo no dialeto de Wessex.

[3] Tradução para o português por Elton O. S. Medeiros.


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